sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vencer ou ser Vencedor

                                              (Fonte: Juciara Azevedo, arquivo pessoal ® )
                                                  

"Refere-se a uma reflexão sobre a má preparação do individuo na sociedade atual perante as dificuldades. Não tem a intenção de ser um texto científico, mas sim reflexivo!
O que nós não conseguimos conquistar, nos torna mais fortes e determinados, mas isto levanta uma questão muito forte: Hoje, as pessoas são preparadas para vencer ou para serem vencedores?
É importante entender essas duas situações, pois são distintas ao contrário do que possa parecer.
Durante alguns anos tive como qualquer “ Iniciante de Umbanda” trabalhando com algumas crianças e pude notar que os pais, super-protetores por natureza tentam a todo custo minimizar as frustrações dos seus filhos, evitando que o mesmo tenha seus conflitos naturais da idade dentro do seu tempo. Este retardamento de experiências pode causar uma imaturidade emocional muito grande nos adultos que essas crianças se tornarão um dia.
Então vamos conceituar o que eu disse acima:
Educar para vencer: preparar o indivíduo para vencer, ensinar que se deve vencer sempre, ensinar o sabor da vitória, evitando demonstrar a existência da derrota, como se ela pudesse ser evitada. Sofrimento não deve ser levado em conta, afinal estamos aqui ensinando a VENCER e a derrota não tem lugar.
Educar para ser um vencedor: preparar o indivíduo para a vida, ensinar o valor da perseverança, ensinar a se levantar a cada queda, ensinar o sabor da vitória e ensinar principalmente a "aprender com as derrotas". Isso mesmo, deve-se aprender a aprender.
Ser vencedor consiste em se entregar, em entender a extensão de uma conquista, em superar obstáculos e ter força pra seguir.
Buscando na história, os espartanos são sinônimos de excelência em combate, aprendiam inclusive que morrer em combate por Esparta seria a maior glória que poderiam ter na vida. Em uma passagem histórica um oficial espartano revela que a sua esperança é encontrar neste combate (Termópilas) alguém a sua altura para que lhe seja dada a honrada boa morte. Isso mostra cabeça erguida até o final, preparação para serem vencedores. As conseqüências são certas e encaradas com racionalidade e equilíbrio.
Não precisamos ser radicais como as rotinas espartanas nos sugerem, apenas precisamos saber nos entregar, ser vencedores, saber que o mérito está na batalha, e a vitória é a conseqüência da boa preparação. A vitória quase sempre é resultado da oportunidade somada à boa preparação, então estar preparado para tudo, nos ajuda a vencer, nos ajuda a ter um norte, nos ajuda a ser melhores.
Hoje podemos notar que nossa cultura não privilegia essa educação, temos medo das perdas, temos medo da dor e do sofrimento (inevitáveis), somos acomodados. Os que gostam de desafios sobressaem-se perante os demais. Há algo errado com esses conceitos. Ou aprendemos a lidar com isso desde cedo ou será na prática, os golpes mais duros que levaremos.
Para finalizar, deixo para reflexão duas frases :
"Todo o Terreiro precisa de gente que erre, que não tenha medo de errar e que aprenda com o erro."
"Quando você vê um Terreiro bem-sucedido é porque alguém, algum dia, tomou, uma decisão corajosa."
Para bom entendedor "um pingo é letra" e "meia palavra basta".
Reflictam. Estamos fazendo o melhor para o nosso futuro?"
(Pai Pedro de Ogum)